92BPM O Mic é Delas – álbum reúne pela primeira vez mulheres da cena hip hop de Belo Horizonte
Ao longo dos anos, mais mulheres têm protagonizado a cena rap, no Brasil e no mundo. Estes espaços foram conquistados de maneira árdua, por gerações de mulheres MCs, que tem desafiado uma lógica de cena e de mercado historicamente dominada por homens. Celebrando as novas conquistas e chamando a atenção para os espaços que ainda precisam ser ocupados, surge o projeto 92BPM O Mic é Delas, trabalho que reúne mulheres do rap da cena de Belo Horizonte e região Metropolitana.
O álbum é um desdobramento do projeto 92 BPM, que já conta com dois discos lançados, idealizado e realizado pela produtora cultural e artística Totty Soraia e o produtor musical, DJ PretoC. A partir de uma conversa com a produtora e estilista Lorena Santos, surgiu a idéia de um novo projeto, este inteiramente dedicado às MCs da cidade. Participam do álbum Dj Pat Manoese, Nega Ruiva , Negras Ativas, Ohana, Lua Zanella, Dany Fragozo, NDPCON, Ynaê Mel da Norte, Talita Silva e Negra Mina.
O álbum chegou às plataformas no dia 23 de junho e pode ser conferido no link: https://onerpm.link/114194107534
Homenagens e referências
Uma das inspirações para a criação do projeto é a jamaicana Cindy Campbel, pioneira no hip hop, foi dela a idéia da festa que deu origem ao movimento, ao lado do seu irmão, o DJ Kool Herc.
“Cindy foi B.Girl e grafiteira, e também foi a primeira personal stytlist no Hip-Hop, além de atuar como estilista e modelo e é fundadora e CEO da “HIP-HOP Preserve Inc.”, uma organização sem fins lucrativos focada na preservação das origens da Cultura HIP-HOP!, conta Lorena Santos.
De acordo com Totty Soraia, uma das criadoras do projeto,”o Mic é Delas tem o objetivo de potencializar e enaltecer a contribuição das mulheres MC”S que representam o elemento basilar: Rap, dentro do Hip Hop. Essa coletânea vai proporcionar também um encontro de gerações, flow, representatividade, trocas de valores, memória, afetividade, poder estético,poesia e fomento da música autoral da cidade”, conclui.
Esse projeto é realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc em Minas Gerais, Edital 06/2024 – Produção de Obras, projeto ID 9181.
Sobre as MCs do álbum:
Michelle Oliveira (Negra Mina):
@michelle.som(Negra Mina) é cantora, compositora, instrumentista, artista plástica de formação, locutora e atriz. Vocalista de projetos como a banda de Soul “Cromossomo Africano”, “Orquestra Mineira de Pandeiro”,cantora e percussionista na “Marimbando, nos blocos Mineira System” e “Judia de Mim” backing vocal dos MCs Roger Deff, Shabê, o cantor e instrumentista Heberte Almeida entre outros.Atualmente prepara seu primeiro álbum solo onde apresenta a diversidade de suas várias influências com novo nome artístico: NEGRA MINA.
Lua Zanella:
@luazanella é uma mulher trans,ela é cantora e compositora de Contagem (Minas Gerais), atuante na Cultura Hip Hop enquanto jurada de batalhas de Rap de Belo Horizonte e região metropolitana. Iniciou sua carreira musical em 2019, lançou seu primeiro EP :Dama de Paus em 2021. Em 2024 apresentou a mixtape :Transmachine. Atualmente a artista trabalha no álbum :”Existe RAP na Lua” repleto de boombap, trap e Drill , cada faixa é uma celebração dos laços que sustentam sua caminhada,além das participações especiais de: Bellory Hills,Escobar da Rima,Maq ,Voraz,Pop Drill entre outros.
Dany Fragozo:
Dany Fragozo é cantora e compositora iniciou sua trajetória musical no fim dos anos 1990, cantando na igreja aos quinze anos.Teve seu primeiro contato com a Cultura Hip Hop nos anos 2000, mas foi em 2007 que passou a integrar o grupo Missionários do Rap, ao lado de Negra Lud e W.Will, os shows aconteceram em todo o Estado de Minas Gerais.
Ao longo da carreira, a artista dividiu o palco com grandes nomes do Rap mineiro como o saudoso CA-X, EF Arezona. Em sua fase solo, lançou o EP “É Preciso Caminhar”, com produção de Eazy Cda.Atualmente faz parte do grupo Família Arezona, mantendo viva sua mensagem de fé,resistência e transformação por meio da música.
Talita Silva:
Talita Silva é cantora, compositora, educadora social e produtora cultural de Belo Horizonte. Ela é cria do Jardim Teresópolis(Betim),sua obra transita entre Soul, Rap e influências da música Preta Brasileira, construindo uma sonoridade potente que atravessa vivência, território e identidade.Iniciou sua trajetória artística a partir da mixtape “Ainda Bem Que Existem Outros Dias”.Em 2023, lançou o EP “Nova Era” e foi semifinalista do concurso A Voz da Periferia, ampliando sua visibilidade. Em 2026, realizou a gravação ao vivo do álbum “Além do Imaginário”, reunindo 10 faixas que exploram uma fusão contemporânea de Soul, Rap,MPB e Afrobeat, reafirmando sua identidade artística e conexão com as raízes da música Preta Brasileira.
Ohana Santana:
@ohanasoueu é cantora, compositora,rapper,MC e designer,é natural de Contagem e residente em Belo Horizonte.A sua musicalidade mistura rap,samba, funk, MPB e neo-soul. Iniciou sua trajetória no Hip Hop em 2008, mas sua relação com a música vem da infância, influenciada pela bisavó Maria Rosa Cabral e por aulas de canto e contrabaixo.Em 2015, participou da coletânea “Desconstrução” com a faixa “Que Assim Seja” . Em 2020, lançou “Vem Balançar”,seu primeiro single solo e o videoclipe foi finalista na categoria de Melhor
Videoclipe Nacional gravado no Lockdown do Music Video Festival.Em 2021, contribuiu para a trilha sonora do filme “Marte Um” com a música “Azul”.Participou de outras colaborações, como “Sabor de Café” para o projeto Black na Live, “Responsabilidade” com a banda Julgamento,e na faixa “Terra e Lua”, no álbum “História do Mundo” de Sérgio Pererê.Em 2024 a artista apresentou seu primeiro trabalho solo, o EP intitulado Telas & Tracks. Com produção assinada pela DJ e produtora musical Pat Manoese, além da participação especial da rapper, cantora e compositora Paula Ituassú e do DJ e produtor musical Enecê.
Pat Manoese:
Com vasta trajetória a @djpatmanoese já passou por grandes palcos, como na turnê de 30 anos dos Racionais (2019); foi convidada de honra no MICA/ Buenos Aires (2023), discotecou também na seletiva do Red Bull Dance Your Style em Belo Horizonte (2024), entre outros. Além disso, colabora com grandes nomes da cena mineira como DJ e produtora musical. Pat também atua como Educadora musical e professora de discotecagem, pela inclusão de mulheres e pessoas LBTQI+ na música e coordena os projetos RISCA (2020) e EM+MA – Encontro de Mulheres+ com a Música Analógica (2025), que promovem oficinas e encontros voltados à cultura do vinil e dos toca-discos.Como produtora musical, Pat Manoese lançou “BOOM CLAP” seu primeiro EP( que se tornou uma referência às onomatopeias de bumbo e caixa, elementos sonoros da música eletrônica), uma combinação imprevisível e envolvente de R&B, RAP, neo soul e música eletrônica brasileira.
Ynaê Januário:
Ynaê Januário vulgo @meldanorte é cantora, trancista, mobilizadora cultural, fotógrafa, diretora criativa, comunicadora e estudante de comunicação social. A multiartista é cria da zona norte de Belo Horizonte e lançou o primeiro álbum “Delírio Coletivo” produzido de forma 100% independente com letras que retratam a auto percepção de uma adolescente negra que circula em diversos espaços da cidade, principalmente em busca de acesso à cultura e oportunidades. O EP também fala de conflitos emocionais atravessados pelo racismo, misturando narrativas de personagens clássicos das HQ’s e literatura brasileira com as vivências (e ficções) da própria artista. Apesar de se identificar mais com o boombap, Ynaê transita entre sonoridades latinas em experimentações como o single “Neon” .Que trouxe a ela uma premiação no festival “Videoclipe-se”. Ynaê esteve presente em festivais como Hiphop doc., FAN e Toca na Favela. Em 2025, lançou o álbum “Delírio II” , uma resposta poética ao seu primeiro álbum 5 anos depois.
Wanessa Rodrigues:
@nega_ruinva420 é natural de Bocaiúva, norte de Minas e reside em Belo Horizonte desde 2014. A artista iniciou sua trajetória na Cultura Hip Hop em 2015. Atuante em Batalhas de Rimas negra ruiva se destaca pelo protagonismo, rimas ligeiras,presença,flow, além de ter construído um trabalho autoral, repleto de representatividade, empoderamento feminino,valorização da sua identidade e vivência periférica. Ela é uma MC de Batalhas que coleciona vitórias ao longo da carreira, como: O de Campeã Estadual de Rimas (2022) , o que a tornou representante de Minas Gerais no Duelo Nacional de MCS.Ela tem presença vibrante nas Batalhas,suas rimas são pesadas e quando ela está com o mic na mão,geral faz barulho. Sua versatilidade extrapola as Rodas de Rima, a artista atuou como atriz na série “Coração Suburbano” para o canal Paramount.
Negras Ativas:
A Organização de Mulheres Negras Ativas nasce em 2003, com o objetivo de contribuir para o empoderamento econômico, psicológico, social e político das mulheres negras, periféricas e faveladas a partir do respeito à diversidade e da valorização de seus saberes e fazeres cotidianos. Da Organização originou- se o Grupo de Rap Negras Ativas que em sua formação original contava com a participação de Vanessa Beco, Roselaine Bragança e
Larissa Borges, posteriormente, integraram ao grupo Lauana Nara e Thainara Lira.O trabalho do grupo marcou a história do Hip Hop em MInas Gerais e no Brasil.Elas contribuíram para a criação do I Fórum Nacional de Mulheres do Hip Hop (2010) e da Frente Nacional das Mulheres no Hip Hop (FNMH2).Em 2026 Negras Ativas retomam aos estúdios assumindo novamente o microfone em uma perspectiva de integração e união entre as mulheres no projeto :92 BPM O Mic é Delas.
Ndpcon:
@ndpcon é atriz, cantora e compositora natural do interior de Minas Gerais. Sua trajetória atravessa a cena, música e criação visual. É integrante do núcleo de teatro do Espaço Comum Luiz Estrela, a “trupe estrela” e também dos coletivos de Graffiti e Hip Hop Rima Viva Hip Hop Crew e nômades Crew. Fez parte do projeto 92 BPM com a faixa: Agora me sinto bem, na sequência teve mais uma faixa musical intitulada: 92 motivos em parceria com @o_mano_que_faz_o_b na coletânea 92BPMCONVIDA. Em 2026 lançou seu primeiro EP, “Bipolar”, onde apresenta uma estética que trás com comicidade suas vivências pessoais numa leitura crítica do cotidiano. Seus trabalhos cruzam o teatro e a música, explorando o palco como espaço de experimentação, presença e narrativa própria.
Ficha Técnica Album :; O Mic é Delas
Artista: 92BPM
Participações : Dj Pat Manoese, Nega Ruiva , Negras Ativas, Ohana, Lua Zanella, Dany Fragozo, NDPCON, Ynaê Mel da Norte, Talita Silva, Negra Mina Michelle Oliveira
Numero de Faixas : 10
Gênero Musical : Rap / Hip Hop
Produção musical : Preto C
Scratches e colagens:Dj Pat Manoese nas faixas, Nós por Nós e Meu sincero Fod*se
Direção Artística : Totty Soraia
Direção de Produção:Totty Soraia
Gravação,Mixagem e Masterização: Preto C
Designer Capa: Prisca Paes
Foto Capa: Cleverson São João
Produção Executiva: Kemet Produções
Distribuição: Kemet Produções
Faixas
01 – Nós Por Nós – Pat Manoese
02 – Meu Sincero, fod*se Ohana
03 – Bonde XTRX – Ynaê
04 – Eu vi Zumbi Nem Florescer-Remix – Negra Mina
05- Quero que seja – Talita Silva
06 – Ciclo Vicioso – Nega Ruiva
07 – Quem são eles? – NDPCON
08 – Cangaço ( Maria Bonita ) – Lua Zanella
09 – Pretas Espiralares – Negras Ativas
10 – Desacelere – Dany Fragozo
SERVIÇO:
Álbum 92BPM O Mic é Delas
Onde: em todas as plataformas digitais



Publicar comentário