27/06 a 05/07 – Cine Humberto Mauro homenageia Jerry Lewis em seu centenário
Em 2026, o ator, diretor, roteirista e produtor norte-americano Jerry Lewis completaria 100 anos. Pensando nesse marco, o Cine Humberto Mauro realiza a mostra “A Invenção do Caos: Jerry Lewis”, de 27 de junho a 5 de julho. A programação reúne seis títulos realizados entre 1960 e 1965, período em que Lewis alcança plena liberdade criativa dentro da indústria hollywoodiana. Os filmes apresentados evidenciam tanto sua capacidade de provocar gargalhadas quanto a sofisticação formal de uma obra que influenciou cineastas em diferentes partes do mundo. A seleção inclui, ainda, “O Rei da Comédia” (1982), de Martin Scorsese, em que Jerry Lewis interpreta um apresentador de televisão perseguido por fãs obsessivos. A entrada no Cine Humberto Mauro é gratuita.
Nascido em 1926, Jerry Lewis era filho de Daniel Levitch, mestre de cerimônias e ator no teatro de variedades (vaudeville), e Rachel Brodsky, pianista de uma rádio. Ele começou a atuar aos cinco anos e passou por todos os estágios do entretenimento, do vaudeville à televisão, no final da década de 1940. Alcançou enorme popularidade inicialmente ao lado de Dean Martin, formando uma das duplas cômicas mais famosas da história do entretenimento norte-americano. A partir do fim da parceria, no final dos anos 1950, desenvolveu uma carreira profundamente autoral como cineasta, realizando algumas das obras mais radicais e influentes da comédia hollywoodiana dos anos 1960. Filmes como “O Mensageiro Trapalhão” (1960), “O Terror das Mulheres” (1961) e “O Professor Aloprado” (1963) revelam um artista interessado em reinventar o espaço cinematográfico através do movimento, da gag visual, da experimentação sonora e da coreografia do corpo em cena.
A mostra “A Invenção do Caos: Jerry Lewis” é realizada pelo Ministério da Cultura e Fundação Clóvis Salgado. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH e do Instituto AngloGold, Patrocínio Plus da Vivo e correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. A ação é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Comédia do caos – Ao revisitar a obra de Lewis cem anos após seu nascimento, o Cine Humberto Mauro presta homenagem à sua carreira enquanto um artista fundamental para o cinema do século XX e também possibilita que outras gerações de espectadores tenham contato com o seu trabalho. A comicidade em seus filmes surge a partir do caos, com corpos que tropeçam, máquinas que falham, ambientes que entram em colapso e situações cotidianas levadas ao absurdo.
A programação conta com filmes como “Mensageiro Trapalhão”, no qual o desajeitado Stanley, um mensageiro que não consegue falar, se depara sucessivamente com seus erros; “O Terror das Mulheres” acompanha um rapaz desiludido após um relacionamento trabalhando em uma pensão para mulheres; “O Professor Aloprado” narra a história de um professor desajeitado que inventa uma poção capaz de transformá-lo em um indivíduo atraente; “O Otário” (1964), no qual um carregador de malas de hotel desajeitado passa a substituir um famoso comediante em um programa de TV; e “Uma Família Fuleira” (1965), em que uma órfã precisa escolher um responsável entre seus seis tios para poder tomar posse da herança;
Vítor Miranda, gerente de Cinema da Fundação Clóvis Salgado, considera que a originalidade do autor é fruto de suas experiências anteriores no universo do entretenimento, deixando um legado para a comédia no cinema. “É importante falar sobre duas tradições que ele pegou antes de levar para o cinema. No vaudeville, ele aprendeu a trabalhar com o corpo enquanto instrumento, com gestos exagerados, acrobacias e mudanças de voz. Na televisão, ele aprendeu a se comunicar com o público, a improvisar e a encenar o que sabia no vaudeville. No cinema, ele junta essas duas coisas e transforma isso em algo mais rebuscado, porque, como ator-diretor, é ele quem vai coreografar a mise en scène e vai se transformar nesse grande comediante, nesse grande autor, deixando seu legado para o futuro. Os filmes dele são grandes e sofisticadas elaborações cômicas, com cenas super coreografadas, longas e que dependem muito do espaço e do corpo. Além disso, ele também foi um diretor que usou muito da tecnologia a seu favor. Então, dá para ver que, nos filmes dele, há essa preocupação com a técnica, como planos-sequência, uso de grua e o pioneirismo na utilização do video assist“, afirma.
A mostra exibe, ainda, o filme “O Rei da Comédia”, sendo o único que não foi dirigido por Lewis, mas apresenta um personagem interpretado por ele, Jerry Langford — apresentador de TV que é sequestrado por dois fãs. Segundo Vítor Miranda, a produção apresenta o legado deixado por Lewis e demarca sua influência em outras obras. “A inclusão de ‘O Rei da Comédia’ aponta um pouco para o legado de Jerry Lewis. Ele foi um diretor muito celebrado e muito investigado pela [revista francesa] Cahiers du Cinéma e pelo arcabouço crítico da França. Além disso, o legado dele chega a outros momentos da história do cinema. Por exemplo, na obra de Scorsese. Mesmo não tendo sido dirigido por Lewis, há uma marca do seu legado em um filme que faz uma reflexão amarga sobre o entretenimento. Há quase um comentário sobre sua trajetória e seu impacto cultural. É uma forma muito legal, também, de estabelecer essa ponte de Jerry Lewis com uma certa modernidade, porque esse filme serviu de inspiração para outros, como ‘Coringa’ (2019), por exemplo”, pontua.
Mostra “A Invenção do Caos: Jerry Lewis”
Datas: De 27 junho a 5 de julho
Horários: Variados
Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes
(Avenida Afonso Pena, 1537, Centro)
Classificações indicativas: Variam conforme a programação
Entrada gratuita; 50% dos ingressos estarão disponíveis, de forma on-line, a partir de meio-dia do dia das sessões, no site da Sympla; o restante dos ingressos será distribuído presencialmente na bilheteria principal do Palácio das Artes e nos totens, 1 hora antes de cada exibição.
Informações para o público: (31) 3236-7307 / www.fcs.mg.gov.br



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