PROJETO APOIA MULHERES VÍTIMAS DO CÂNCER, A PARTIR DE OFICINAS DE ARTE E RODAS DE CONVERSA

PROJETO APOIA MULHERES VÍTIMAS DO CÂNCER, A PARTIR DE OFICINAS DE ARTE E RODAS DE CONVERSA

No dia 20 de junho, sábado, a partir das 10h, a livraria Ramalhete (Savassi/BH) recebe a palestra “O medo no contexto da oncologia”, realizada por Cláudia Gersen – artista, bióloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Fiocruz e pesquisadora do Centro de Pesquisas Rene Rachou – e pela artista plástica e gestora de projetos, Clarice Fonseca. O evento abre o “Aconchego”, projeto que, ao longo de 2026, propõe uma série de ações, como oficinas de arte com materiais reutilizados da quimioterapia, rodas de conversa e feira de artesanato, voltadas ao público em geral, e, sobretudo, a mulheres atendidas pelo SUS e na rede privada, que se encontram em tratamento oncológico ou que já passaram por ele. A entrada é gratuita. Na ocasião, serão distribuídas 150 mudas de plantas, por ordem de chegada.

“Muitas mulheres passam pelo tratamento sozinhas. Sabemos que as redes de apoio são fundamentais durante o tratamento oncológico. Mas é preciso lembrar que, além de todo o sofrimento inerente à doença, o câncer é muito mais cruel para as mulheres em situação de vulnerabilidade social. Para essas, as redes de apoio são, muitas vezes, inexistentes, pois a família precisa trabalhar, não há como estar disponível em todos os momentos, isso sem falar naquelas que são abandonadas pelos companheiros logo após o diagnóstico”, comenta a artista plástica Clarice Fonseca que idealizou o projeto para apoiar outras mulheres, a partir de sua experiência em seis meses de quimioterapia pelo SUS, em Belo Horizonte.

“Nos dias em que eu estava mais debilitada pelo tratamento, a TV não me interessava, não suportava música ou qualquer tipo de som, não tinha concentração para ler, não tinha vontade de fazer absolutamente nada, a não ser ficar na cama. Mas quando os efeitos colaterais melhoravam, eu ia para o ateliê. Essa pequena movimentação, por menor que fosse, era importante para a minha recuperação”, lembra.

Nesta fase, a artista passa a substituir materiais tóxicos, principalmente alguns tipos de cola, vernizes e solventes, por pigmentos naturais extraídos de vegetação do cerrado, como urucum, cúrcuma, casca de árvore e folha seca. A artista também experimenta a reutilização de alguns materiais da quimioterapia (bulas e caixas de remédio, gazes dos curativos etc.) para produzir diversos produtos artísticos, como gravuras, desenhos e colagens. “A arte me dava tanta força para seguir que tive vontade de dividir essa experiência curativa com outras mulheres e seus familiares, que estão vivendo momento semelhante. O que mais falta nessa hora é companhia, afeto. O SUS hoje dá todo o suporte, mas faltam ainda iniciativas que proporcionam esse tipo de acolhimento”, diz.

Nasce, então, o Aconchego. A proposta, segundo Clarisse, é que a cada mês, o projeto ocupe um espaço da cidade oferecendo feira de artesanato, oficina de arte para mulheres em tratamento oncológico ou que já passaram por ele, com o objetivo de apoiá-las emocionalmente, mas também capacitá-las para uma nova profissão e reinserção no mercado (se assim desejarem).

“O pós-câncer não é fácil e a sociedade precisa entender as particularidades de uma mulher que finalizou o tratamento, mas não conseguiu voltar às suas atividades habituais ou ao mercado de trabalho. Muitas não conseguem retornar. Para elas, a vida não é, e não pode mais ser como era antes da doença”, comenta.

A cada evento, será ministrada ainda uma palestra temática com profissionais da saúde e da arte, relacionados ao bem-estar e meio ambiente. Além disso, o projeto conta com apoio da Casa Umbigo, que reunirá embalagens longa vida para as oficinas de arte e jardinagem, do espaço Asa de Papel, onde será realizada mensalmente a feira “Aconchego” e das Livrarias Ramalhete e Literíssima, que irão sediar as rodas de conversa. O Projeto Aconchego também é parceiro da Casa de Apoio Aura, para o desenvolvimento de projetos culturais para a Casa.

SERVIÇO

 

LANÇAMENTO DO PROJETO

20 de junho, sábado – 10h

Roda de Conversa “O medo no contexto da oncologia”

Com Cláudia Gersen e Clarice Fonseca

Local: Livraria Ramalhete — Rua Pernambuco, 1.000, Savassi.

@livraria_ramalhete

Acesso gratuito

 

FEIRA ACONCHEGO

27 de junho, sábado – 10h às 14h

Exposição de obras de arte, artesanato e plantas ornamentais.

*Haverá distribuição de mudas (ornamentais): apenas 150 unidades, por ordem de chegada.

Local: Asa de Papel Café & Arte — Rua Piauí, 631, Santa Efigênia.

@Asa de Papel Café & Arte

Acesso gratuito

 

Sobre Clarice Fonseca

É artista plástica e há vinte anos desenvolve projetos artísticos e culturais. Em 2014, fundou a Clarice Fonseca Produções Culturais, e desde então desenvolve projetos e produz artistas da música, das artistas plásticas e do teatro. Trabalhou com artistas de destaque como Yara Tupynambá, Maria Helena Andrés, Ivana Andrés, Luciano Luppi, Pedro Paulo Cava, Gustavo Penna, Marcelo Xavier, Orquestra Sesiminas, Oquestra 415 e muitos outros. Em 2021, publicou o livro de contos “Elas”. Em 2025, iniciou o tratamento oncológico e, desde então, sua produção artística gira em torno do universo feminino.

 

Sobre Cláudia Gersen

Bióloga e Mestre em Ciências da Saúde pela Fiocruz (Centro de Pesquisas Rene Rachou).

Artista multifacetada, dedicada a questões sociais como moradia digna, saúde e educação. Seus bordados, fotografias e a literatura revelam o que muitas vezes não conseguimos enxergar no cotidiano. Em Belo Horizonte, volta o olhar em direção à beleza sutil e às mazelas da gente e da natureza ao redor.

Daniel Stone é repórter fotográfico com DRT, com sólida experiência na cobertura de shows e eventos. Atua também na fotografia de eventos sociais e ensaios fotográficos, destacando-se pelo olhar atento e pela capacidade de registrar emoções autênticas.

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