ESPETÁCULO “RISCO” CELEBRA 15 ANOS DO GRUPO EM PARCERIA COM O DIRETOR OSCAR CAPUCHO

ESPETÁCULO “RISCO” CELEBRA 15 ANOS DO GRUPO EM PARCERIA COM O DIRETOR OSCAR CAPUCHO

O Grupo Contemporâneo de Dança Livre celebra 15 anos de trajetória e resistência cultural com a estreia do espetáculo “RISCO” nos dias 15, 16 e 17 de maio, sempre às 20h, na Funarte MG. A obra propõe uma pesquisa baseada no limite do corpo: o risco enquanto perigo e instabilidade, mas também como marca, trajeto e identidade. A apresentação do dia 17 de maio contará com audiodescrição. A entrada é franca e está sujeita à lotação.

A partir destas premissas e do encontro com os dançarinos do grupo – Duna Dias, Heloisa Rodrigues, Leonardo Augusto e Socorro Dias, e do músico piauiense Érico Ferry (que executa a trilha ao vivo), o trabalho traz de forma intensa, debochada e abstrata os perigos que um corpo pode sentir dependendo do seu território e posição no mundo. “Como atravessar o que nos coloca em perigo?”; “Que danças podem surgir de nossa insistência em permanecer, nossa teimosia em viver e nosso direito de ser?” são algumas perguntas que norteiam a obra.

 

Para direção e elenco, o espetáculo chega em um momento que o medo e o desconforto tomam novos contornos, são reciclados e reinventados, tornando o viver cotidiano um atravessamento de sensações em que as muitas guerras, violências e absurdos impregnam nossos corpos.

 

“Estamos em constante risco trabalhando com arte e educação. É algo que faz parte de nós enquanto grupo. A criação do espetáculo veio também a partir de uma provocação minha em pensar em um projeto de criação para o grupo que nos colocasse em situações ainda não vividas e que nos fizesse pensar de maneira poética em toda a dureza que vivemos”, comenta Duna Dinas.

 

O espetáculo “RISCO” é realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Minas Gerais, Edital 06/2024 – Chamamento Público: Produção de Obras. ID – 727.

Direção Compartilhada

 

A criação do novo espetáculo do Grupo Contemporâneo de Dança Livre, com passagens por 14 países da América Latina e Europa e uma trajetória de criação de 17 espetáculos e performances, além de 40 videodanças, traz uma proposta inédita: a direção compartilhada entre uma das idealizadoras do grupo, Duna Dias, e Oscar Capucho,  ator e dançarino com deficiência visual.

 

A colaboração entre o grupo e Oscar Capucho é fruto de uma relação artística sólida, cultivada desde 2017 através de projetos como a Cia Ananda e o espetáculo “Cartas para Irene” (protagonizado por Oscar com co-direção de Anamaria Fernandes e Duna Dias). Embora Oscar já tenha colaborado como dançarino em videodanças do grupo, o espetáculo “RISCO” marca a primeira vez que ele assume a direção junto ao coletivo, realizando um desejo antigo de integração criativa entre os artistas.

 

“Eu e Oscar temos uma relação de trabalho e amizade de muita cumplicidade e admiração e nos encontramos em um momento de pensamentos sobre criação e direção muito parecidos. Foi um processo muito fluido, intenso e prazeroso. Nós dois estávamos com muita vontade de fazer esse trabalho juntos e isso também está na cena”, conta Duna Dias.

 

Para Oscar, a parceria com Duna Dias foi um exercício de “misturar as tintas”, resultando em uma estética potente e viva. “Eu acho que deu liga. A Duna cuida muito da estética e temos bailarinos com uma força muito grande”, celebra o diretor. Para ele, o espetáculo é um organismo em constante transformação: “Acredito que o resultado na arte vem de uma maneira diferente. Cada dia a cena encontra novidades e se alimenta para que o trabalho esteja sempre vivo. É um resultado momentâneo que se modifica a cada dia”.

 

Dramaturgia dos Sentidos

 

Oscar trouxe ao processo o desafio de inverter a lógica da dança — tradicionalmente focada na estética visual — para priorizar a escuta, o toque e a sensação.

 

Para o diretor, o trabalho foca em três pilares: “A estética do movimento de risco, o movimento em risco e o movimento arriscado”. Ele destaca que a voz e o texto também ganham corpo na cena: “Eu trouxe textos para eles e quis inserir movimento e fala, porque fala também é corpo. Existe uma coerência do que a gente se propôs a falar, que é o risco iminente que todos vivemos”, explica.

 

Duna Dias reforça que a escolha por essa direção é um posicionamento político. “Minha sensação é que o corpo expande quando damos atenção aos outros sentidos e passamos a construir imagens a partir de outros referenciais. Para mim desperta uma construção de movimento e dramaturgia que não é completamente ligada à estética, mas ao clima e à atmosfera”, afirma Duna, que completa sobre o maior desafio vivido durante o processo: “acalmar as ansiedades em relação ao produto final, pois quando a visão não é a principal referência, os processos de criação e direção podem se inverter em relação ao que estamos acostumados na dança”.

 

Logo nos primeiros ensaios, o diretor propôs que o elenco trabalhasse sem roupas, buscando  o desafio de libertar os bailarinos do “olhar do outro” e criar uma conexão direta com a textura e a sensualidade.

 

“Como um artista cego e gay, eu quis trazer algo novo para eles: o desafio de trabalhar sem o foco no olhar do outro. Coloquei-os desprovidos de roupa para trazer pele e textura, algo que tem muito a ver com a minha experiência como pessoa cega”, explica Oscar. “Eu quis valorizar esses corpos, trabalhando uma sensualidade que é sutil, mas bonita. É sobre não ter a preocupação com o que o outro está vendo, e sim com o que eu estou propondo a fazer.”

 

Resistência e Nova Fase

 

Com um elenco formado por artistas com mais de 30 anos — incluindo a fundadora Socorro Dias, que celebrou 45 anos de palco recentemente — o espetáculo marca uma “fase de fúria” e renovação do grupo. Em cena, os dançarinos são acompanhados pela trilha sonora ao vivo do músico piauiense Érico Ferry.

 

Ao olhar para os 15 anos de história, o grupo vê em “RISCO” o reflexo de sua própria jornada. “Nossa trajetória é pautada pela resistência em fazer dança onde não tínhamos visibilidade. Nossa dança é nossa forma de dizer que estamos presentes e atentos”, finaliza Duna.

 

Sobre o Grupo Contemporâneo de Dança Livre

 

O Grupo Contemporâneo de Dança Livre nasce profissionalmente em 2010 com o objetivo de investigar a dança e seus desdobramentos. Há 15 anos colabora e incentiva a formação de novo público para a dança contemporânea e a criação de novos coletivos de artistas, a partir de criações compartilhadas e o desenvolvimento de obras inéditas. O grupo entende a dança e seus projetos para a sociedade como ato político e uma forma de resistência. O coletivo já participou de diversos festivais, residências artísticas e projetos de formação em diversos estados do Brasil e em países como Inglaterra, Escócia, Argentina, Portugal, França, Bélgica, Colômbia, Panamá, México, El Salvador, Cuba, Costa Rica, Guatemala e Peru. Além da produção de mais de 17 espetáculos e performances e em torno de 40 trabalhos de videodança. O grupo também realiza ações de formação de público e acessibilidade através de oficinas, exibições e rodas de conversa, ampliando o acesso às pesquisas em dança contemporânea.

 

Sobre Oscar Capucho

 

Oscar Capucho é ator Profissional, Maratonista e bailarino cego formado pela UFMG. Dos artistas brasileiros com deficiência mais atuantes do Brasil e no exterior, Oscar Capucho dançou em dupla com uma bailarina de baixa visão na abertura das Paralimpíadas no Rio, circula o Brasil com o espetáculo “Cartas para Irene” de sua autoria e faz parte do projeto Teatro dos Sentidos de Brasília. Integrante fundador da Cia Ananda de Dança Contemporânea.

 

Ficha técnica

 

Direção e dramaturgia: Duna Dias e Oscar Capucho

Performance: Duna Dias, Heloisa Rodrigues, Leonardo Augusto e Socorro Dias

Trilha sonora: Érico Ferry

Figurino: Socorro Dias

Iluminação: Pâmela Rosa

Conceito visual e maquiagem: Duna Dias

Preparação corporal: Oscar Capucho

Design gráfico: Nazca Dias

Produção geral: Duna Dias

Produção executiva: Heloisa Rodrigues

Acessibilidade: Vias Acessíveis

Daniel Stone é repórter fotográfico com DRT, com sólida experiência na cobertura de shows e eventos. Atua também na fotografia de eventos sociais e ensaios fotográficos, destacando-se pelo olhar atento e pela capacidade de registrar emoções autênticas.

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