DOS SOLOS AO COLETIVO: TRILOGIA DO SUSTO REESTREIA NO TEATRO MARÍLIA

DOS SOLOS AO COLETIVO: TRILOGIA DO SUSTO REESTREIA NO TEATRO MARÍLIA

O que permanece quando alguém morre? Como reconstruir a história de quem já não está presente? Essas perguntas atravessam Trilogia do Susto, espetáculo da Quase Cia. em parceria com os artistas Amanda Salvador e Leon Ramos, que chega ao Teatro Marília nos dias 9 e 10 de novembro (segunda e terça-feira), sempre às 20h, com ingressos a preços populares – R$40 (inteira) e R$20 (meia), já à venda no Sympla. A bilheteria do teatro funcionará duas horas antes das sessões.

A montagem reúne três solos autorais — chamarei de qualquer coisa, onde o mar começa e pedra/cabeça —, desenvolvidos originalmente de forma independente em diferentes edições da Mostra de Monólogos do Galpão Cine Horto, todos com dramaturgia assinada por Daniel Gama e direção de Letícia Leiva. Na configuração atual, os solos deixam de funcionar como unidades isoladas e passam a interferir uns nos outros, criando uma escrita compartilhada em que imagens retornam modificadas, vozes se misturam e lembranças individuais se transformam em matéria coletiva e poética para tentar reconstruir a história de uma mulher chamada Teresa.

A Pesquisa e a Cena

A investigação cênica do coletivo se dá entre a poesia contemporânea, a performance e o teatro físico. Em chamarei de qualquer coisa, a espera por Teresa se dá em um delírio poético sobre a memória. Em onde o mar começa, explora-se uma escrita sem começo ou fim delimitados, em diálogo com autoras como Ana Martins Marques, Maria Isabel Iorio, Matilde Campillo e Letrux. Já pedra/cabeça tem como ponto de partida o diário de registro da despedida de uma mãe, transformando o luto em compartilhamento. O processo criativo também dialoga com referências como a obra “O pato, a morte e a tulipa”, de Wolf Erlbruch, e o livro “Tanatografia da mãe”, de Isadora Krieger. Na dramaturgia, a morte não aparece apenas como tema, mas como um problema de linguagem: como narrar alguém cuja ausência reorganiza a vida de quem permanece?

O título Trilogia do Susto aponta para uma experiência que ultrapassa o medo: o susto é a interrupção da expectativa, a percepção de que a vida e a memória são frágeis. Em cena, os artistas expõem os mecanismos de construção do próprio teatro, articulando plasticidade, música ao vivo e metalinguagem para afirmar que, apesar da ruptura, a vida continua. A trilha sonora é executada ao vivo por Rodolfo Pinhón, músico integrante da Banda Caminantes.

SOBRE A QUASE CIA.
Companhia belo-horizontina de teatro, audiovisual e performance. Fundada em 2018, a companhia é destaque da cena contemporânea por suas criações autorais e diálogo com grandes referências do teatro brasileiro. No repertório, destaca-se “Burburinho – a primeira festa” (2024), dirigido por Raquel Pedras (Grupo Armatrux), “Das poucas coisas que catei antes de sair” (2022), escrito por Eduardo Moreira (Grupo Galpão) e Bárbara Luz (Ainda Estou Aqui), e “Todo lo que tus oídos insisten”, intervenção artística realizada em Salvador (2021) e em Lekeitio, Espanha (2026).

FICHA TÉCNICA
Em cena: Amanda Salvador, Daniel Gama, Letícia Leiva, Leon Ramos, Matheus Carvalho e Rodolfo Pinhón
Dramaturgia: Daniel Gama
Colaboração dramatúrgica: Letícia Leiva, Leon Ramos, Amanda Salvador
Trilha sonora original: Rodolfo Pinhón
Criação e operação de luz: Matheus Carvalho
Áudio off: Babi Amaral, Beatriz França, Dudude, Juliana Martins, Ludmilla Ramalho, Lydia Del Picchia, Mariana Arruda, Raquel Pedras e Ray Poesia
Operação de som, produção e colaboração artística: Rodrigo Liberato
Identidade visual: Imbas Estúdio Criativo
Comunicação: Rizoma Comunicação & Arte
Preparação corporal “pedra/cabeça”: Centro de Cultura Flamenca
Agradecimento: Grupo Maria Cutia

Trilogia do Susto – quase cia. de teatro
9 e 10 de novembro de 2026 (segunda e terça-feira), às 20h
Teatro Marília
(Avenida Professor Alfredo Balena, 586 – Santa Efigênia, Belo Horizonte/MG)

Duração: 65 minutos
Classificação indicativa: 12 anos

Ingressos: R$40 (inteira) e R$20 (meia-entrada).

Vendas: Na bilheteria do teatro (aberta a partir de duas horas antes dos eventos) ou on-line pela plataforma Sympla:: https://bileto.sympla.com.br/event/128268/

Mais informações:
quasecia.com.br

Daniel Stone é repórter fotográfico com DRT, com sólida experiência na cobertura de shows e eventos. Atua também na fotografia de eventos sociais e ensaios fotográficos, destacando-se pelo olhar atento e pela capacidade de registrar emoções autênticas.

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