Leão da Lagoinha, bloco mais antigo de BH, com 79 anos, apresenta Rainha trans e Rainha Plus em ensaio aberto

Leão da Lagoinha, bloco mais antigo de BH, com 79 anos, apresenta Rainha trans e Rainha Plus em ensaio aberto

Evento contará com a participação do grupo Samba da Feira e Bateria Furacão, do bloco

Símbolo de resistência e ancestralidade, o Leão da Lagoinha, realiza evento de pré carnaval para coroar duas rainhas; uma delas Plus e outra Trans. A escolha destes perfis mostra a vanguarda do Bloco mais antigo da capital mineira, promove representatividade, inclusão, quebra barreiras e inspira outros blocos a dar espaço para a diversidade no Carnaval e na sociedade. O evento será realizado no dia 7 fevereiro, a partir das 14h, no Centro Cultural Nosso Grito, localizado na rua Roseiral 13, bairro Santo André.

De acordo com Jairo Nascimento, presidente do Bloco, esse é um passo crucial para combater a transfobia, celebrar a identidade, além de transformar o Carnaval em um palco de resistência e empoderamento. “Ter rainhas com perfis diferentes da maioria dos outros blocos serve como exemplo.  Queremos que elas provem que podem conquistar posições de destaque e realizar seus sonhos no Carnaval, a presença delas garante que essa grande festa é para todos”; afirma

A Rainha Plus Size é Ismênia Santusa, de 48 anos. “Estou me sentindo muito honrada por ser rainha plus size do Leão da Lagoinha. Ao me convidar, o Bloco fez história mais uma vez”, diz. Ismênia Santusa é a primeira musa plus size destaque da capital mineira e do Estado. Ganhou o prêmio TV Vitrine em 2024 e 2025.  Representou o Estado mineiro no concurso Miss Plus Size nacional realizado no Rio de Janeiro e ficou em primeiro lugar na categoria Master.

Moradora de periferia e de comunidade, Ismênia Santusa ama o carnaval desde criança e atualmente é a primeira destaque da Escola de Samba Acadêmica de Venda Nova. Tem como objetivo mostrar que as mulheres que têm o mesmo biótipo dela, ou seja, que estão acima do peso considerado padrão imposto pela sociedade; possam brincar no carnaval, por que ele é de todos. “O carnaval não tem idade, não tem peso, não tem medidas. E é por isso que eu estou aí nessa luta, ocupando lugares e espaços que a sociedade insistiu que nós não deveríamos estar”; completa.

A Rainha Trans é Michelle Xavier, uma mulher preta e trans de 41 anos, que também é musaT do carnaval do bloco MovaT, primeiro bloco onde participantes são homens e mulheres trans. Desfilou em três escolas de samba onde foi passista. Para ela o carnaval é um ato político, onde todas as pessoas têm que ser incluídas e respeitadas.  “Ser primeira rainha da bateria trans do bloco Leão da Lagoinha é um grande orgulho para mim, abro caminhos para outras meninas trans. Entrarei na avenida com muita alegria representando todos que são excluídos”, explica Michelle Xavier.

Grupo Samba da Feira –  Quem animará a festa é o Samba da Feira. Um grupo da velha guarda fundado no dia 2 de dezembro de 2023, que é formado por músicos de 60 anos ou mais e comandado por Ivo do Pandeiro.  Eles cantam sambas de raiz, forma mais tradicional e autêntica do samba, com fortes raízes africanas e portuguesas para valorizar a história, a cultura e as tradições do povo brasileiro. Mas não vão faltar os sambas atuais, que são mistura tradição e renovação, com forte presença do pagode romântico e samba de roda, com músicas de Thiaguinho, Iza, Péricles, Sorriso Maroto e muitos outros com sucessos focados em vivências amorosas e ritmos dançantes, além da valorização de novas vozes como Moreira.  Eles serão acompanhados pela Bateria Furacão do Bloco Leão da Lagoinha.

Tema– Neste ano, o Bloco de Carnaval Leão da Lagoinha, mais antigo da capital mineira, que foi fundado o ano de 1947, levará Iemanjá para a Avenida e fará uma grande homenagem, a essa divindade que e celebrará a fé, a generosidade e o sincretismo religioso.  E para além de séculos de lendas, histórias e tradições, Iemanjá já foi reverenciada diversas vezes no carnaval de diversas cidades brasileiras.

De acordo com o presidente do Bloco, Jairo Nascimento, Iemanjá tem origem no idioma africano yorubá. É ela quem cuida da cabeça e do coração dos que a cultuam. Conhecida por sua generosidade e força, a divindade, que é considerada dona das águas e mãe de todos os orixás, tem uma história tão profunda quanto as águas que domina. Com origem às margens do rio Yemonja, na Nigéria, a divindade recebeu o título de deusa dos mares quando chegou em terras brasileiras junto com os negros escravizados.  “No Brasil, Iemanjá é sincretizada ao mesmo tempo com a figura da sereia e santas católicas (como Nossa Senhora dos Navegantes), representando a força da ancestralidade, a união e a capacidade de nutrir a vida, trazendo prosperidade e cuidando da “cabeça” (saúde mental)”, explica.

Jairo Nascimento, conta ainda que a ligação de Iemanjá com o Carnaval é profunda e se manifesta em enredos de escolas de samba, promessas de carnavalescos, alegorias grandiosas e a celebração do sagrado e do profano, com a orixá representando as águas, a maternidade e a resistência, especialmente através de homenagens sincréticas e a força das tradições afro-brasileiras que se unem à festa popular

O Bloco Leão da Lagoinha tem tradição de homenagear os Orixás. Em 2023 realizou homenagem para Zé Pilintra, em 2024 para Ogum e em 2025 para Cosme e Damião. “Escolhemos esse tema porque o território da Lagoinha, tem uma grandiosidade de casas, tendas e terreiro de matriz africana e povo preto”, finaliza.

Ensaios – O Bloco Leão da Lagoinha realizará ensaios técnicos nas segundas e quintas feiras, às 19 horas, no Centro Cultural Nosso Grito, Rua Roseiral 13, bairro Santo André.

Conheça o Bloco – Fundado no ano de 1947, o bloco Leão da Lagoinha era a atração do carnaval de Belo Horizonte e sobreviveu até o fim da década de 70. Concentrava-se na Lagoinha e descia a Rua Itapecerica, rumo a Avenida Afonso Pena, onde com muita alegria, irreverência e criatividade, abriam o carnaval de Belo Horizonte. Sem distinção de raça, religião ou opção sexual, o Leão da Lagoinha recebe foliões de vários bairros, onde homens se vestiam de mulher e mulheres se vestiam de homem.

Famílias inteiras lotavam as arquibancadas e toda a extensão da Avenida Afonso Pena para assistirem ao desfile do Leão da Lagoinha. Um bloco teatral que ao longo de seus desfiles faziam os telespectadores vibrarem e sorrirem, quando levava para a avenida mitos e lendas marcantes como; a loira do Bonfim, Hilda Furacão, Cintura Fina, Xuxa dentre outras.

Com a dissidência do Leão da Lagoinha no ano de 1977, surgiu a tradicional Banda Mole. Com o encerramento dos desfiles do Leão da Lagoinha, o carnaval de Belo Horizonte entristeceu, deste bloco restaram somente lembranças e pesquisando antigos arquivos, pouco foi encontrado sobre a história tão linda e marcante daqueles que algum dia participou da alegria de, desfilar ou assistir aos desfiles de Leão da Lagoinha.

Após 32 anos sem desfilar, o Leão da Lagoinha retornou ao carnaval em 2017, com um projeto de resgate da memória histórica, Arquitetônica, da Boêmia e Cultural da Lagoinha e região, recentemente tombada como Patrimônio Municipal da cidade.

SERVIÇO

O que é: Pré-Carnaval e apresentação das Rainhas do Leão da Lagoinha,

Quando: Dia 7 fevereiro, a partir das 14h

Onde: Centro Cultural Nosso Grito, Rua Roseiral 13, bairro Santo André.

Entrada gratuita

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