Festival da Onça leva MC Papo, Sarah Sampp e outros artistas ao Mirante da Cachoeira no dia 12 de setembro
O Festival da Onça realiza no sábado, 12 de setembro, a sua 3ª edição, no Mirante da Cachoeira, no bairro Novo Aarão Reis, na região Norte de Belo Horizonte. A partir das 9h, o público poderá acompanhar uma programação gratuita que reúne shows de MC Papo, Sarah Sampp, O Culto da Rua, União dos Crias com Lieezou, Almin Bah, Rafaela Rosa convidando Lucinha Bosco, Black Stevie, Uai Sound System e outros artistas, além de cortejo, apresentações de cultura popular, exposições, a ação Nadar no Onça, com piscinas para quem quiser nadar, e feira de alimentação.

A programação começa às 9h, no Campo de Futebol Novo Aarão Reis, com o Nascimento da Onça, cortejo até o Mirante da Cachoeira. A partir das 10h, o espaço recebe o Boi Brilho do Horizonte, coletivo de Belo Horizonte que desenvolve ações culturais voltadas à pesquisa, vivências, preservação e difusão do Bumba Meu Boi do Maranhão.
A manhã também terá Percussão, Dança e Capoeira, com apresentações da Escola Municipal Secretário Humberto Almeida; a tenda imersiva “De quem é esse rio”, do Programa Fiscalizar e Educar (PBH); e a Cerimônia de Abertura, às 11h, com presença de autoridades da UFMG e PBH e lideranças comunitárias. Às 11h30, acontece o Banquete Primavera, com produtos das hortas familiares do Baixo Onça.
A programação musical começa às 12h30, com DJ Amplis, e segue com Almin Bah, Rafaela Rosa convidando Lucinha Bosco, Uai Sound System, Black Stevie: a velha guarda do soul de BH, Rap Surdo, O Culto da Rua, Sarah Sampp, União dos Crias com Lieezou e MC Papo. Entre os shows, a discotecagem fica por conta do DJ Dioh.
MC Papo e Sarah Sampp são destaques da programação
Um dos destaques da programação é MC Papo, que encerra a programação musical, às 21h. Nascido em Bruxelas e criado em Belo Horizonte, o artista iniciou sua carreira no funk em 2004 e ganhou projeção nacional com músicas como “Piriguete”, “Eu Pixava Sim”, “Radinho de Pilha”, “Tudo Pra Dar Errado”, “31 Cobra Coral” e “Texas (BH é o Texas)”. Em 2006, lançou “Piriguete”, que se tornou sucesso em todo o país. Desde então, o artista realizou mais de 300 shows de forma independente.
Às 19h40, o festival recebe Sarah Sampp, rapper e compositora do bairro Maria Virgínia. A artista tira inspiração de sua ancestralidade e das vivências na periferia de Belo Horizonte. Começou a escrever poesia em 2018, após a morte de Marielle, e passou a integrar o Coletivo Pretas Poetas. Recentemente, lançou sua primeira mixtape, “Visão Piranha”.
Sarah Sampp e Rap Surdo foram selecionados pelo edital destinado a artistas das regionais Norte e Nordeste de Belo Horizonte. O edital recebeu 86 propostas de 41 bairros. Do Ribeiro de Abreu, a Palhaçaria Negra também foi selecionada para realizar ações ao longo da semana, inclusive em escolas.
Para o festival, o edital também funciona como uma ferramenta de aproximação com a produção cultural do território. A seleção permite conhecer iniciativas locais e estabelecer novas conexões com artistas e grupos do Baixo Onça.
Música, cultura popular e encontro no Mirante
Às 14h30, Rafaela Rosa convida Lucinha Bosco para uma apresentação que reúne diferentes gerações do samba. Rafaela é cantora de samba e pagode, natural de Raposos/MG, e iniciou sua trajetória musical aos 15 anos. Lucinha Bosco, nascida em Belo Horizonte, tem uma trajetória de 65 anos dedicada ao samba e é uma referência da velha guarda do gênero.
Às 16h30, o Uai Sound System integra a programação, seguido por Black Stevie: a velha guarda do soul de BH, às 19h10. Com uma trajetória iniciada nos anos 1970, Black Stevie participou de apresentações com bandas, grupos de dança, cantores e eventos da PBH, além do longa-metragem Uma Onda no Ar e do 30º Festival Internacional de Dança de Joinville.
Às 17h20, o Rap Surdo realiza uma batalha de rimas em Libras, criando um espaço de protagonismo para artistas surdos dentro da cultura Hip Hop. Na sequência, às 18h, O Culto da Rua, formado majoritariamente por mulheres negras, apresenta um trabalho dedicado à difusão da Música Preta, com releituras e arranjos de obras de artistas nacionais e internacionais.
Às 20h30, o União dos Crias com Lieezou leva ao palco música, dança e Passinho de BH, reafirmando o Passinho como expressão artística e cultural de Belo Horizonte.
Uma programação que começa antes do dia 12
Embora o sábado seja o momento de encontro aberto ao público, o Festival da Onça começa antes. Entre os dias 8 e 11 de setembro, são realizadas oficinas, apresentações e outras atividades em escolas e espaços comunitários do Baixo Onça.
Entre as ações estão a oficina Eu no Parque do Futuro, com alunos do Programa Escola Integrada e da EJA; o espetáculo Gira da Palhaçaria Negra, da Trupe Gira; oficinas de pipas, máscara de onça e Banquete Primavera, além do Auto do Boi e a Onça Pintada. Um dos destaques é a oficina de audiovisual mobile, ministrada por Coniiin, nome artístico de Marconi, fotógrafo e artista visual de Belo Horizonte. Conhecido por retratar a identidade urbana e a cultura negra, o artista também assina registros e capas de artistas como o rapper Djonga.
O Auto do Boi e a Onça Pintada, realizado pelo grupo Boi Livre, com Mestre Faria, e pelo artista Marconi Marques, morador do Novo Aarão Reis, promove oficinas com práticas em artes plásticas, cultura da infância e musicalização. Os participantes constroem uma Onça, máscaras felinas e maracás que integram o cortejo do Boi.
“O Festival não acontece só nesses dias, ao longo do ano também realizamos ações e seguimos mobilizados no território”, explica Letícia Ribeiro, coordenadora de articulação e mobilização do Festival da Onça.
Uma história construída no território
A história do Festival da Onça é anterior à sua primeira edição. O Conselho Comunitário Unidos pelo Ribeiro de Abreu (COMUPRA), criado em 2001, e o Movimento Deixem o Onça Beber Água Limpa, criado em 2007, são precursores da mobilização pelo território e de ações relacionadas ao Ribeirão Onça.
“O Festival chega a convite do COMUPRA para se somar a essa trajetória, atuando por meio dos mutirões de transformação dos espaços degradados e articulando cultura e mobilização para dar visibilidade às potências do Baixo Onça e às lutas das comunidades”, explica Débora Tavares, coordenadora de mutirões do Festival.
A primeira edição do Festival da Onça foi realizada em 2024, a partir de um projeto de extensão da Escola de Arquitetura da UFMG, que iniciou suas ações no território em 2017. Naquele ano, foram realizadas intervenções em diferentes pontos do Baixo Onça, entre eles o Mirante da Cachoeira, no Novo Aarão Reis, o Campinho do Conjunto CBTU, no bairro Novo Tupi, e a região de Areia Branca, no Ribeiro de Abreu.
Em 2025, o festival voltou ao Mirante da Cachoeira e concentrou ali sua programação, com oficinas, visitas mediadas, mutirões e atividades culturais. Também foram executados projetos de mobiliários desenvolvidos por estudantes da UFMG e selecionados por edital, em mutirões com moradores.
O resultado desse trabalho também pode ser percebido no uso que a comunidade passou a fazer do espaço. Depois da transformação por mutirão e da realização do festival, o Mirante da Cachoeira recebeu cultos, carnaval, festa da terceira idade, sarau e festas de aniversário.
“Isso mostra que o espaço passou a receber diferentes usos e se tornou um lugar de encontro, cultura e convivência”, reforça Débora.
Neste ano, o trabalho de cuidado com o território continua. Entre 31 de agosto e 4 de setembro, o festival realiza um mutirão no Mirante da Cachoeira, para manutenção dos mobiliários construídos anteriormente.
Voltar a ver o rio como rio e o retorno dos pássaros na região
As ações realizadas no território estão relacionadas ao Parque Ciliar Comunitário do Ribeirão Onça e ao sonho de voltar a nadar e brincar no Ribeirão Onça, que atravessa Belo Horizonte e está poluído. É nesse território que está a Cachoeira do Ribeirão Onça, a maior queda d’água em leito natural dentro de uma capital brasileira.
Para Débora Tavares, recuperar a relação da população com o rio também significa recuperar sua presença na vida da cidade. “Voltar a nadar, pescar e brincar no Onça significa também poder conviver com o rio a partir de uma infraestrutura de saneamento digna”, afirma.
A relação com o rio também está presente nas memórias dos moradores, tanto de quem nadava e brincava em suas águas quanto de quem viveu os impactos das inundações. As ações realizadas desde 2017 buscam fortalecer essa relação e criar novas possibilidades de convivência com o território.
“A comunidade comenta que voltou a ver o rio como rio e a sonhar com a possibilidade de sua limpeza”, relata Letícia Ribeiro. Segundo ela, moradores também têm comentado sobre o retorno de pássaros que não eram vistos há muito tempo.
Nesse processo, cultura, educação ambiental e mobilização comunitária são entendidas como ferramentas para dar visibilidade às demandas do território, fortalecer o pertencimento e ampliar a participação dos moradores.
“Quando as pessoas participam, constroem e ocupam os espaços, ajudam a gerar pertencimento e passam a reconhecer aquele lugar como parte da sua vida, algo que pode ser cuidado e transformado coletivamente”, afirma Letícia.
A continuidade do Festival da Onça representa, para as coordenadoras, a possibilidade de manter essa construção e gerar novas formas de participação. “A festa é um momento importante para celebrar nossas conquistas e dar visibilidade ao Baixo Onça, mas essa é uma construção permanente e coletiva”, destacam.
Serviço
Festival da Onça – 3ª edição
Tema: Viver a Cachoeira da Onça
Data: 8 a 12 de setembro de 2026
Programação aberta ao público: sábado, 12 de setembro
Início da programação do sábado: 9h
Local: Mirante da Cachoeira – Rua Euro Luís Arantes, 185 – Novo Aarão Reis, Belo Horizonte
Entrada: gratuita
Programação completa: https://www.festivaldaonca.com.br/ e https://www.instagram.com/festivaldaonca/



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