Artista visual Filipe Grimaldi fará pintura ao vivo na exposição Joaquín Torres García – 150 anos, no CCBB BH

Artista visual Filipe Grimaldi fará pintura ao vivo na exposição Joaquín Torres García – 150 anos, no CCBB BH

O artista visual paulista Filipe Grimaldi – diretor do Atelier Sinlogo, artista de referência em pintura de letra popular no Brasil – estará em Belo Horizonte nos dias 15 e 16 de agosto a convite da exposição Joaquín Torres García – 150 anos, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH). Grimaldi pintará um mural ao vivo, com símbolos da América Latina, estabelecendo um diálogo com a mostra. A ação acontecerá no Pátio do CCBB BH, das 10 às 18h no sábado, e das 10h às 12h no domingo, e poderá ser acompanhada pelo público, proporcionando um momento de encontro, trocas e aprendizados. A participação é gratuita, sem necessidade de ingresso, e sujeita à lotação do espaço.

Artista visual Filipe Grimaldi fará pintura ao vivo na exposição Joaquín Torres García – 150 anos, no CCBB BH – Foto Fernanda Lopes (2) (1)

A proposta do mural, com aproximadamente 2 metros de altura por 5 metros de largura, será apresentar um alfabeto ilustrado, criado por Filipe Grimaldi, associado a elementos do imaginário latino-americano, reunindo ícones gráficos que remetem à cultura de diferentes regiões e países. Entre elas estão símbolos brasileiros, como o guaraná e a erva-mate, o milho negro dos Andes do Peru, o vinho produzido na América do Sul, o gênero musical Cúmbia, originário da fusão entre as culturas indígenas, africanas e espanholas, entre outros elementos culturais que remetem ao continente. Depois de pronto, o trabalho de Grimaldi irá integrar as mais de 600 obras que compõem a exposição.

Dedicado à pesquisa do letrismo vernacular sul-americano, Filipe Grimaldi é conhecido por evidenciar a memória afetiva popular brasileira, a partir de um vasto repertório acerca de símbolos e caligrafias populares. Em suas composições, Grimaldi inscreve palavras, frases e cenas cotidianas ligadas ao repertório cultural e emocional latino.

A exposição Joaquín Torres García – 150 anos é a mais abrangente já realizada no Brasil sobre um dos principais nomes da arte moderna latino-americana. Idealizada pelo curador Saulo di Tarso, com a colaboração do Museo Torres García, a mostra reúne mais de 600 obras, entre pinturas, conjuntos de desenhos, objetos, centenas de manuscritos e documentos históricos, além de trabalhos de mais de uma centena de artistas brasileiros e estrangeiros, modernos e contemporâneos, que amplificam as reflexões sobre o legado do artista uruguaio. A mostra está instalada nas Galerias do 3º Andar e no Pátio do CCBB BH. A entrada é gratuita mediante retirada de ingresso pelo site ccbb.com.br/bh ou na bilheteria do CCBB BH.

Joaquín Torres García – 150 anos evidencia diálogos entre Torres García e importantes artistas brasileiros modernos e contemporâneos, revelando aproximações formais, conceituais e simbólicas que atravessam diferentes gerações e linguagens artísticas. Saulo di Tarso explica que cada cidade amplia as possibilidades de leitura da exposição. “A mostra se redesenha e procura incorporar a participação de artistas locais. Essa transformação museográfica que é implementada em cada cidade busca atualizar a presença de Torres García junto a artistas de grande potência no cenário contemporâneo”, destaca o curador.

Nesse sentido, a montagem em Belo Horizonte apresenta novas obras de artistas como Advânio Lessa e Randolpho Lamonier, que evidenciam a relevância da produção regional e reforçam o caráter singular da temporada mineira. “Cada cidade transforma a exposição em uma experiência diferente. Em Belo Horizonte, buscamos evidenciar as conexões entre o pensamento de Torres García, a arte popular e a cultura mineira, mostrando como sua obra continua dialogando com questões de identidade, pertencimento e criação coletiva. O Sul, para ele, nunca foi apenas um lugar no mapa, mas uma forma de compreender o mundo”, afirma.

A exposição em cartaz na capital mineira ganha um recorte curatorial próprio. Assim, se em Brasília o percurso privilegiava as relações entre arte, arquitetura e espaço público, em Belo Horizonte o foco recai nas conexões entre o pensamento de Torres García, a arte popular e a cultura de Minas Gerais. A proposta reafirma uma das ideias centrais do artista, de que o Sul não é apenas uma posição geográfica, mas uma perspectiva ética, estética e cultural diante do mundo. Neste tema, uma das inclusões que destacam os debates decoloniais e enriquecem o diálogo são mapas históricos dos séculos XVII e XVIII de Pieter Goos e Jodocus Hondius, por exemplo, colocados nesta etapa da itinerância.

Reconhecido internacionalmente, Joaquín Torres García é apresentado sob uma perspectiva que ultrapassa sua iconografia mais conhecida. O percurso destaca sua contribuição para aproximar as experiências das vanguardas europeias das culturas latino-americanas, e também evidencia seu pioneirismo na criação do Universalismo Construtivo – escola artística que deixou um legado importantíssimo com o grupo Taller Torres García, que buscava uma linguagem criada a partir de formas universais, simples e geométricas, aliado a referências culturais próprias da América Latina, e que permanece atual nos debates sobre identidade, pertencimento e autonomia cultural.

Entre os destaques da exposição está a obra “América Invertida”, uma das imagens mais emblemáticas da história da arte latino-americana que raramente é apresentada fora do Museo Torres García, situado em Montevidéu. Mais do que inverter um mapa, a obra propõe uma mudança de perspectiva sobre o lugar da América Latina no mundo, tendo se tornado um dos maiores símbolos da afirmação cultural do continente.

A mostra se revela a maior já realizada sobre Torres García no Brasil. São centenas de obras inéditas, com a reunião de uma quantidade expressiva de desenhos e manuscritos cedidos pelo Museo Torres García, que representam seus principais projetos artísticos, e a reunião de empréstimos valiosos no contexto museológico nacional e internacional. Segundo a organizadora da mostra, Cynthia Taboada, diretora da Cy Museum, “museus como MACBA (Museu d’Art Contemporani de Barcelona), IVAM (Institut Valencià d’Art Modern), MSSA (Museo de la Solidaridad Salvador Allende), MASP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Instituto Rubens Gerchman, Museu Bispo do Rosário, Galeria Sur e coleções privadas importantes cederam obras fundamentais de Torres García e dos artistas selecionados pela curadoria. Todos abraçaram o projeto em torno da celebração dos 150 anos do artista, momento único que permite gerenciar essa quantidade enorme de acordos em torno de um propósito singular e de uma riqueza ímpar”, completa.

Outro eixo importante da exposição é sua dimensão educativa. Saulo di Tarso explica que Torres García compreendia a infância como uma forma de “integração da vida” e atribuía às crianças um papel central no projeto da criação moderna.

A exposição tem patrocínio da BB Asset por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, organização e produção da Cy Museum e curadoria de Saulo di Tarso, com a colaboração do Museo Torres García.

 

SERVIÇO

 

Exposição Joaquín Torres García – 150 anos

Local: Galerias do 3º Andar e Pátio

Período: até 12 de outubro de 2026, de quarta a segunda, das 10h às 22h

Ingressos gratuitos, disponíveis em ccbb.com.br/bh e na bilheteria do CCBB BH

 

Pintura de mural com o artista visual Filipe Grimaldi

Local: Pátio

Período: 15/08, das 10h às 18h, e 16/08, das 10h às 12h

Sem necessidade de ingresso, sujeito à lotação do espaço

Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte

Endereço: Praça da Liberdade, 450, Funcionários – BH/MG

Funcionamento: de quarta a segunda, das 10h às 22h

Informações: (31) 3431-9400 | ccbb.com.br/bh

Redes sociais: instagram.com/ccbbbh | facebook.com/ccbbbh

E-mail: ccbbbh@bb.com.br

 

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