Vumbora leva a Belo Horizonte a memória e a força do carnaval baiano
Belo Horizonte recebeu neste sábado (1º) uma celebração de diferentes momentos da música popular baiana. A quarta edição do Bloco Vumbora reuniu Bell Marques, Durval Lelys e É o Tchan no Mirante Beagá, em uma programação de nove horas que trouxe de volta à cidade uma estrutura característica das grandes micaretas: trios elétricos, abadás, repertório conhecido e atrações que compartilham o mesmo circuito.

A escolha do formato não é apenas uma questão de estrutura. As micaretas fizeram parte da história cultural de Belo Horizonte e ajudaram a aproximar o público mineiro da música produzida na Bahia. Ao colocar três nomes diretamente ligados a essa tradição no mesmo espaço, o Vumbora transformou o evento em uma espécie de encontro de gerações do carnaval baiano.
Bell Marques, que lidera o projeto Vumbora desde 2014, foi um dos responsáveis por conduzir essa memória. Com mais de quatro décadas de carreira, o cantor revisitou sucessos que atravessaram diferentes fases do axé e continuam associados à experiência dos trios elétricos. “Voa Voa”, “Diga Que Valeu” e “Não Vou Chorar” estiveram entre as músicas que ajudaram a construir a apresentação.

A trajetória de Durval Lelys também se confunde com a evolução do carnaval de Salvador. Ex-integrante do Asa de Águia, o artista levou para o Mirante Beagá personagens e músicas que se tornaram parte do imaginário da folia baiana. “Dança do Vampiro”, “Quebra Aê”, “Leva Eu” e “Bota Pra Ferver” fizeram parte do repertório, mantendo em cena a mistura de performance, fantasia e música que marcou sua carreira.

Já o É o Tchan trouxe outro componente dessa história. O grupo ajudou a popularizar o pagode baiano em todo o país nos anos 1990 e chegou a vender mais de 16 milhões de discos. Mais de três décadas depois, coreografias, swing e canções que permanecem reconhecíveis pelo público mostraram como aquela produção musical continua presente no repertório afetivo de diferentes gerações.

Com três trios elétricos circulando pelo espaço e encontros entre os artistas, o Vumbora apostou na experiência coletiva que está na origem das micaretas. Em vez de apenas reproduzir um formato do passado, a edição em Belo Horizonte colocou frente a frente artistas de trajetórias distintas, mas ligados por uma mesma tradição musical. O resultado foi uma festa que também funcionou como reencontro com uma parte importante da cultura popular brasileira que, por décadas, fez do carnaval baiano um fenômeno para além das fronteiras de Salvador.
Por Lizandra Andrade



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