Espetáculo “Tia Nina e o mistério do Sapatão” estreia em BH com reflexão lúdica sobre diversidade

Espetáculo “Tia Nina e o mistério do Sapatão” estreia em BH com reflexão lúdica sobre diversidade

O espetáculo infantil “Tia Nina e o mistério do Sapatão” faz sua estreia na capital mineira com temporada de 29 a 31 de maio e de 05 a 07 de junho na Funarte MG. As sessões ocorrem às sextas-feiras, às 15h e 19h, e aos sábados e domingos, às 15h. O projeto idealizado pela Coletiva Fanchecléticas e pela Associação Artes Sapas tem direção de Rainy Campos e traz uma dramaturgia expandida baseada na cena curta homônima que conquistou o prêmio de Melhor Cena da Noite no 22º Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto. Haverá presença de intérprete de Libras nas apresentações de sexta e domingo e roda de conversa aos domingos.

A montagem é o desdobramento do livro infantil “Tia Nina Sapatão”, lançado em abril de 2026. Escrita pela atriz Nádia Fonseca durante a pandemia, a obra literária serve de base para a peça e propõe um diálogo sensível, leve e acessível sobre temas fundamentais como diversidade, respeito, liberdade de ser e o enfrentamento ao preconceito de gênero.

Segundo Nádia Fonseca, que adaptou o livro para a linguagem teatral: “É uma peça que conversa muito com a criança que fomos e que gostaríamos de ter visto representada quando éramos pequenos. Todo mundo conhece uma Tia Nina! A personagem foi inspirada em mulheres do meu bairro: pessoas incríveis e afetuosas, mas que muitas vezes são julgadas pelo seu jeito de viver e ocupar o mundo”, pontua.

Para devore se, ator e coordenador de produção do espetáculo, a peça aborda a curiosidade de uma sobrinha pelos mistérios de sua tia. “É sobre a coragem e a beleza de ser autêntica. Sobre a busca infinita de ser quem realmente somos, antes de qualquer expectativa. É sobre fofoca, conversa fiada e intriga de família. Sobre roupa, sapato, cabelo e presilha. Sobre heróis e sobre heroínas. Sobre ensinamentos de Tia Nina pra esperta Julinha. Sobre a visão de criança que também ensina.”, resume.

Teatro musical e de sombras

A direção do trabalho é assinada por Rainy Campos, marcando a primeira parceria da diretora com o grupo. A Coletiva leva para o palco elementos do teatro de sombras, teatro musical e mascaramentos.

“Apostamos numa criação bastante múltipla, com várias linguagens para compor o espetáculo. A estética visual é muito forte por conta do uso do teatro de sombras e eu acho que a interação desses elementos faz com que a gente consiga construir um universo lúdico que traz várias camadas de leitura para as infâncias”, revela a artista.

Para Karim Ângelo, ator e autor da trilha sonora, o projeto realiza o desejo antigo de trabalhar com Rainy Campos. Ele destaca o alinhamento estético com a diretora, cuja bagagem lapidou as canções e trouxe um olhar refinado para o universo infantojuvenil.

“Nós sempre tivemos uma pesquisa musical muito forte em nossos trabalhos. Como Tia Nina é bem musical desde sua primeira aparição como cena curta, sabíamos que Rainy, com sua bagagem artística como cantora, artista e professora de canto/voz, conseguiria lapidar o espetáculo aprimorando nossas canções”, afirma Karim.

Diálogo com as Crianças

A narrativa nasceu do desejo de abordar, de forma descontraída e didática, temas como preconceito e padrões sociais impostos, especialmente quando relacionados às expressões de gênero.

Para a diretora Rainy Campos, o verdadeiro obstáculo de debater temas identitários está na recepção do público adulto, e não no universo infantil:

“O nosso maior desafio não são as crianças, muito pelo contrário, são as pessoas adultas que estão com os seus preconceitos definidos por uma normativa da sociedade. Para mim, a melhor fase para discutir temas complexos que violentam e estruturam a nossa sociedade é exatamente na infância, pois essas crianças serão os adultos de depois. Quando a gente pensa na infância, a gente está pensando no hoje, em qual hoje a gente quer, e não somente no futuro.”

Nova Fase da Coletiva Fanchecléticas

Este é o segundo espetáculo teatral da Coletiva e o primeiro voltado especificamente para as infâncias. A estreia de “Tia Nina e o mistério do Sapatão” marca sete anos da coletiva e a conquista da sede própria, no tradicional Edifício Acaiaca, no Centro da capital mineira.

A atriz Letícia Bezamat, que também assinou as ilustrações da obra literária que inspirou a peça, reflete sobre a conquista:

“Ter um espaço para criar muda tudo. O desafio é grande também: sustentar um coletivo de artistas depende de políticas públicas e dinheiro. Nossa sede fica junto de outro espaço importante pra cidade, a Akasulo – Centro de Convivência LGBTQIAPN+, que também tem um trabalho muito relevante para comunidade. Unir forças com outras coletividades criou mais oportunidades pra gente. Quem quiser visitar e contribuir com o espaço será sempre bem vinde!”, finaliza.

Viabilizado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – Edital nº  08/2024 PNAB, número ID 8506 – ano 2026, o projeto MONTAGEM DO ESPETÁCULO TIA NINA SAPATÃO conta com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais/Governo de Minas Gerais, e realização por meio do Ministério da Cultura e o Governo Federal.

Sinopse

Júlia é uma menina curiosa, investigativa e uma ótima detetive. Desta vez, ela decidiu desvendar o maior mistério da família: por que o sapatão da Tia Nina é tããão grande?

Lado a lado com Tia Nina, entre memórias e músicas, Júlia descobre que alguns tesouros não cabem em lugares apertados, porque são do tamanho da liberdade.

 

Sobre Rainy Campos

 

Rainy Campos é atriz, cantora, diretora e preparadora vocal. Mestre em Artes pela UNESP, pesquisa as relações entre vocalidade, musicalidade e cena nas poéticas dos teatros negros. Dirigiu os espetáculos travessia (2025) e Ópera Operária (2022), neste último também assinando a direção musical. Integra a Cia. Bando onde desenvolve pesquisa em teatros negros para as infâncias. Atua na criação cênica, atuação e preparação vocal de espetáculos, performances e processos formativos, além de desenvolver trabalhos como docente de teatro e expressão vocal em cursos técnicos de artes cênicas.

 

Sobre a Associação Artes Sapas

 

Associação Artes Sapas (OSC) impacta diretamente o fazer de artistas trans, travestis e não-bináries, lésbicas, bissexuais e panssexuais, promovendo trabalhos e valorizando sua arte com promoção e criação de trabalhos artísticos e educativos a partir de uma perspectiva transfeminista, antirracista, popular e periférica, conectando arte, território e transformação social.

 

Coletiva Fanchecléticas

 

A Fanchecléticas Coletiva é o eixo artístico e sociocultural da Associação Artes Sapas, responsável por projetos feitos por e para pessoas trans e mulheres LGBTQIAPN+, que atuam no teatro, audiovisual, música e literatura.

 

Ficha Técnica

 

Realização: Fanchecléticas Coletiva

Direção: Rainy Campos
Dramaturgia: Nádia Fonseca

Assistência de Dramaturgia: Éle Fernandes

Contribuição dramatúrgica: Elenco

Elenco: devore se, Karim Angelo, Letícia Bezamat e Nádia Fonseca

Preparação corporal: Eli Nunes

Preparação vocal: Rainy Campos

Cenografia e Figurino: Luiz Dias

Máscaras: devore se e Letícia Bezamat

Coordenação Técnica: Karim Angelo

Locação de equipamentos de Iluminação: @gatodeluziluminacao

Iluminação: Régelles Queiroz

Desenho de Sombras: Régelles Queiroz, Letícia Bezamat e devore se

Trilha sonora: Karim Angelo

Operação de Som: Eli Nunes

Coordenação Financeira: Nádia Fonseca

Coordenação de Produção: devore se

Produção Executiva: Paula Libéria

Coordenação de Comunicação e Design Gráfico: Letícia Bezamat

Assessoria de Imprensa: Renata Rocha – Rizoma Comunicação & Arte

Social Media: Kami Soares – Mercuria Conecta

Fotografia e Vídeo: Virgínia Dandara

Interpretação em Libras: Thayná Cunha

Parceria: Associação Artes Sapas

Motoboy: Yan Júlio de Oliveira Souza

Agradecimentos: aKasulo – Centro de Convivência LGBTQIAPN+

SERVIÇO

Data: 29 a 31/05, sexta a domingo
05 a 07/06, sexta a domingo

Horário: sexta às 15h e 19h e sábado e domingo às 15h

As sessões de domingo às 15h terão roda de conversa.

Todas as sessões de sexta e domingo + rodas de conversa terão intérprete de libras.

Sábado NÃO terá libras.

Local: Funarte/MG (Rua Januária, 68, Centro, BH)

Ingressos: Entrada gratuita.
Retirada de ingressos 1h antes do início da apresentação na bilheteria do local.

+Informações em:

www.fanchecleticas.com/eventos

Daniel Stone é repórter fotográfico com DRT, com sólida experiência na cobertura de shows e eventos. Atua também na fotografia de eventos sociais e ensaios fotográficos, destacando-se pelo olhar atento e pela capacidade de registrar emoções autênticas.

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