Filarmônica de Minas Gerais recebe a soprano Deborah Bulgarelli, neste sábado, 24 de outubro, às 18h, na Sala Minas Gerais, dentro da série Fora de Série
A música brasileira de concerto é fortemente marcada por elementos folclóricos e populares. Toda essa escola nacionalista encontra em Heitor Villa-Lobos sua expressão maior. Mas sua influência permeia gerações, chegando até os dias de hoje, como veremos em obras de Villa-Lobos e mais quatro compositores brasileiros Ronaldo Miranda, Edmundo Villani-Cortês, Camargo Guarnieri e Francisco Mignone, no concerto do dia 24 de outubro, às 18h, na Sala Minas Gerais, na série “Fora de Série”. A soprano Deborah Bulgarelli, convidada da Filarmônica de Minas Gerais, nos conduzirá por essas diversas manifestações de afeto à nossa música e ao nosso país. A regência é do maestro José Soares, Regente Associado da Orquestra. Em 2026, a série “Fora de Série”, realizada aos sábados, destaca os grandes nomes que moldaram a história da música e aqueles que se deixaram transformar por eles. Os ingressos estão à venda no site www.filarmonica.art.br e na bilheteria da Sala Minas Gerais, a partir de R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia).
Este projeto é apresentado pelo Ministério da Cultura por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Mantenedor: Cultura e Turismo. Apoio: Programa Amigos da Filarmônica. Realização: Instituto Cultural Filarmônica, Funarte e Ministério da Cultura.
Maestro José Soares, Regente Associado da Filarmônica de Minas Gerais
Natural de São Paulo, José Soares é Regente Associado da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde 2022, tendo sido seu Regente Assistente nas duas temporadas anteriores. Venceu o 19º Concurso Internacional de Regência de Tóquio (2021), recebendo também o prêmio do público. Em 2026, estreia como convidado da Orquestra Sinfônica de Campinas, e rege concertos com as sinfônicas Brasileira e de Porto Alegre, e com a Camerata Antiqua de Curitiba. Nas temporadas de 2023 a 2025, regeu a New Japan Philharmonic, a Sinfônica de Hiroshima, a Filarmônica de Nagoya e a Filarmônica da Cidade de Tóquio, no Japão, bem como a OSESP, as sinfônicas do Paraná e da Universidade Estadual de Londrina, a Orquestra de Câmara de Curitiba, as sinfônicas Jovem de São Paulo e do Rio de Janeiro e a Academia Jovem Concertante, no Brasil. Em 2022, regeu a Sinfônica NHK, em Tóquio, e a Sinfônica MÁV, em Budapeste. Soares é responsável pela gestão da plataforma educacional da Filarmônica de Minas Gerais, atuando no planejamento e na coordenação da Academia Filarmônica, de Concertos Didáticos e Ações Educativas da orquestra.
Bacharel em Composição pela Universidade de São Paulo, iniciou-se na música com sua mãe, Ana Yara Campos. Estudou com o maestro Claudio Cruz e teve aulas com Paavo Järvi, Neëme Järvi, Kristjan Järvi e Leonid Grin. Foi orientado por Marin Alsop, Arvo Volmer, Giancarlo Guerrero e Alexander Libreich no Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão. Pelo Prêmio de Regência recebido no festival, atuou como Regente Assistente da Osesp na temporada 2018. Soares foi aluno do Laboratório de Regência da Filarmônica e convidado pelo maestro Fabio Mechetti a reger um dos Concertos para a Juventude da temporada 2019.
José Soares foi indicado duas vezes à Premiação da Revista Concerto, sendo eleito pelo júri como Jovem Talento em 2021, e integrou a lista Forbes Under 30 na edição de 2024.
Deborah Bulgarelli, soprano
Natural de Belo Horizonte, Deborah Bulgarelli estudou com a renomada soprano Eiko Senda e graduou-se em Música com habilitação em Performance Vocal pela Universidade do Estado de Minas Gerais. Foi integrante da Academia de Ópera do Theatro São Pedro (São Paulo) e vencedora do Concurso para Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais nas edições de 2017 e 2018. Em 2020, recebeu o prêmio de “Melhor Intérprete de Ópera de Carlos Gomes” no Concurso Carlos Gomes (Campinas). Desde sua mudança para a Irlanda, em 2022, Bulgarelli tem se apresentado regularmente no Festival e no Workshop de Ópera de Limerick. Sua estreia europeia ocorreu no mesmo ano, com a ópera The Hag of Loughrask, de Fiona Linnane. Entre os principais papéis interpretados pela soprano destacam-se Cio-Cio-San (Madama Butterfly, de Puccini), Dido (Dido e Enéias, de Purcell) e Condessa Almaviva (As Bodas de Fígaro, de Mozart).
Repertório
Heitor Villa-Lobos (Rio de Janeiro, Brasil, 1887- 1959) e a obra A floresta do Amazonas: Quatro Canções (1958)
“Eu não ponho mordaça na exuberância tropical das nossas florestas e dos nossos céus, que transporto instintivamente para tudo o que escrevo”. Essa declaração de Villa-Lobos resume um traço central de sua música. Dos poemas sinfônicos Uirapuru (1917) e Amazonas (1917) até suas obras tardias, passando por boa parte dos Choros (1920-1929) e das Bachianas Brasileiras (1930-1945), muitas de suas composições trazem os barulhos da mata para dentro da orquestra moderna.
A floresta do Amazonas, sua última grande obra, encerra em chave épica essa sequência de quadros musicais da natureza brasileira. Originalmente, a música foi escrita para o filme A flor que não morreu, produção hollywoodiana estrelando Audrey Hepburn e Anthony Perkins. O compositor, porém, não aceitou que a trilha sonora fosse cortada para se adequar às cenas e acabou se retirando do projeto. O material foi então transformado em uma suíte para orquestra, coro e voz solista, que inclui algumas das canções mais conhecidas de Villa-Lobos — como a “Melodia Sentimental” e a “Canção do Amor”, ambas com letra de Dora Vasconcellos.
Ronaldo Miranda (Rio de Janeiro, Brasil, 1948) e a obra Cantares (1969-1984)
Cantares remonta aos tempos em que Ronaldo Miranda, um dos mais importantes compositores brasileiros em atividade, era um jovem estudante da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A canção se baseia em um poema de Walter Mariani e foi escrita para o segundo Festival Universitário da Música Brasileira da TV Tupi. O país estava então em plena “era dos festivais”, período em que a riqueza da música popular brasileira despertou o interesse de músicos ligados à tradição de concerto.
O desenho melódico de Cantares remete à modinha, gênero lírico que conquistou a alma brasileira no início do século XIX. A harmonia, por sua vez, flerta com a música renascentista, oscilando entre sonoridades tonais e modais. Essa combinação, a um só tempo simples e eficaz, fez com que a canção se tornasse uma das obras mais conhecidas de Miranda. Na década de 1980, Cantares ganhou versões para coro, para voz e piano e até mesmo para um conjunto de música antiga formado por flauta doce, cravo e viola da gamba. Posteriormente, surgiu ainda uma versão para voz e orquestra de cordas.
Edmundo Villani-Côrtes (Juiz de Fora, Brasil, 1930) e a obra Sina de Cantador (1989)
Natural de Juiz de Fora, Edmundo Villani-Côrtes é um dos principais representantes da geração de compositores formados na escola nacionalista de Camargo Guarnieri. Sua produção abarca mais de 300 obras, escritas para as mais diversas formações, e nunca abre mão do diálogo entre a música de concerto e a música popular. Essa característica é particularmente marcante em suas canções, que dão continuidade ao esforço de invenção de um estilo brasileiro no canto lírico, iniciado por compositores como Alberto Nepomuceno. Além de ter musicado poemas de escritores como Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles, Villani-Côrtes é autor da letra de muitas de suas canções.
Ao longo de sua história, a canção de câmara brasileira precisou combater a ideia de que o português seria uma língua imprópria para o canto lírico. Daí a importância de uma peça como a Sina de Cantador, que assume uma embocadura totalmente brasileira, sem pretender imitar a expressão vocal do bel canto italiano. Não por acaso, os versos escritos por Julio Bellodi para a obra são um elogio do próprio ato de cantar.
Camargo Guarnieri (Tietê, Brasil, 1907 – São Paulo, Brasil, 1993) e a obra Três Danças Brasileiras (1941)
Compostas em três momentos distintos da carreira de Camargo Guarnieri, as danças “Brasileira”, “Selvagem” e “Negra” foram consideradas um tríptico pelo próprio autor. Elas são marcadas pelo comprometimento do compositor paulista com o ideário nacionalista formulado pelo literato e musicólogo Mário de Andrade, que entendia o caráter brasileiro como resultante da fusão de elementos europeus, africanos e indígenas. Ao mesmo tempo, porém, as opções estéticas de Guarnieri apontam para um projeto singular, que não se apropria das ideias de Mário de Andrade, mas não se limita a elas.
De caráter alegre e ritmado, em “Tempo di Samba”, a “Dança Brasileira” (1928) foi composta originalmente para piano, assim como as demais danças. Já a “Dança Selvagem” (1931) evoca as florestas brasileiras e inclui ritmos gravados por Roquette Pinto em pesquisas etnográficas pelo interior do país. Escrita quinze anos mais tarde, a “Dança Negra” (1946) nasceu de uma viagem à Bahia feita na companhia do escritor Jorge Amado, durante a qual o compositor teve contato com ritos do Candomblé.
Francisco Mignone (São Paulo, Brasil, 1897– Rio de Janeiro, Brasil, 1986) e a obra Festa das Igrejas (1940)
Nascido em uma família de músicos italianos que vieram para São Paulo no final do século XIX, Mignone possuía uma imaginação melódica comparável à de Giacomo Puccini e um talento para a orquestração digno de um Ottorino Respighi. Essas qualidades permeiam toda a sua obra, inclusive sua fase marcada pela busca do caráter nacional brasileiro.
O poema sinfônico Festa nas Igrejas é uma obra-prima do nacionalismo musical, e se volta para um traço importante da religiosidade no Brasil. Segundo o prefácio da partitura, escrito pelo próprio compositor, sua intenção é valorizar a mistura do sagrado e do profano na nossa cultura popular. Esse elogio do sincretismo é realizado por meio de uma longa viagem, que passa pela Igreja de São Francisco (Bahia), pela Igreja do Rosário de Ouro Preto (Minas Gerais), pelo Outeirinho da Glória (Rio de Janeiro) e pela Paróquia Nossa Senhora do Brasil (São Paulo). Cada Igreja corresponde a uma seção da obra, que culmina “num berimbau de sinos, num trovar de órgãos múltiplos, numa fusão de corais diversos”, conforme escreveu Mignone em carta a Mário de Andrade.
Filarmônica de Minas Gerais
Fora de Série
24 de outubro – 18h
Sala Minas Gerais
José Soares, regente
Deborah Bulgarelli, soprano
VILLA-LOBOS Floresta do Amazonas: Quatro Canções
R. MIRANDA Cantares
E. VILLANI-CORTÊS Sina de Cantador
GUARNIERI Três Danças Brasileiras
MIGNONE Festa das Igrejas
INGRESSOS:
R$ 50 (Mezanino), R$ 58 (Coro), R$ 58 (Terraço), R$ 84 (Balcão Palco), R$ 105 (Balcão Lateral), R$ 143 (Plateia Central) e R$ 185 (Balcão Principal).
Ingressos para Coro e Terraço serão comercializados somente após a venda dos demais setores.
Meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação.
Informações: (31) 3219-9000 ou www.filarmonica.art.br
Bilheteria da Sala Minas Gerais
Horário de funcionamento
Dias sem concerto:
3ª a 6ª — 12h a 20h
Sábado — 12h a 18h
Em dias de concerto, o horário da bilheteria é diferente:
— 12h a 22h — quando o concerto é durante a semana
— 12h a 20h — quando o concerto é no sábado
— 09h a 13h — quando o concerto é no domingo
São aceitos:
- Cartões das bandeiras Elo, Mastercard e Visa
- Pix
ORQUESTRA FILARMÔNICA DE MINAS GERAIS
A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais foi fundada em 2008 e tornou-se referência no Brasil e no mundo por sua excelência artística e vigorosa programação.
Conduzida pelo seu Diretor Artístico e Regente Titular, Fabio Mechetti, a Orquestra é composta por 90 músicos de todas as partes do Brasil, Europa, Ásia e das Américas.
O grupo recebeu numerosos prêmios e menções, sendo o mais recente o Prêmio Concerto 2024 na categoria CD/DVD/Livros, com o álbum com obras de Lorenzo Fernandez. A Orquestra já havia recebido Prêmio Concerto 2023 na categoria Música Orquestral, por duas apresentações realizadas no Festival de Inverno de Campos do Jordão, SP, o Grande Prêmio da Revista CONCERTO em 2020 e 2015, o Prêmio Carlos Gomes de Melhor Orquestra Brasileira em 2012 e o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Artes (APCA) em 2010 como o Melhor Grupo de Música Clássica do Ano.
Suas apresentações regulares acontecem na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, em cinco séries de assinatura em que são interpretadas grandes obras do repertório sinfônico, com convidados de destaque no cenário da música orquestral. Tendo a aproximação com novos ouvintes como um de seus nortes artísticos, a Orquestra também traz à cidade uma sólida programação gratuita – são os Concertos para a Juventude, Filarmônica na Praça, os Concertos de Câmara e os concertos de encerramento do Festival Tinta Fresca e do Laboratório de Regência. Para as crianças e adolescentes, a Filarmônica dedica os Concertos Didáticos, em que mostra os primeiros passos para apreciar a música de concerto.
A Orquestra possui 20 álbuns gravados, entre eles sete integram o projeto Brasil em Concerto, do selo internacional Naxos junto ao Itamaraty. O álbum Almeida Prado – obras para piano e orquestra, com Fabio Mechetti e Sonia Rubinsky, foi indicado ao Grammy Latino 2020.
Ainda em 2020, a Filarmônica inaugurou seu próprio estúdio de TV para a realização de transmissões ao vivo de seus concertos, totalizando hoje mais de 100 concertos transmitidos em seu canal no YouTube, onde se podem encontrar diversos outros conteúdos sobre a orquestra e a música de concerto.
A Filarmônica realiza também diversas apresentações por cidades do interior mineiro e capitais do Brasil, tendo se apresentado também na Argentina e Uruguai. Em celebração ao bicentenário da Independência do Brasil, em 2022, realizou uma turnê a Portugal, apresentando-se nas principais salas de concertos do país nas cidades do Porto, Lisboa e Coimbra, além de um concerto a céu aberto, no Jardim da Torre de Belém, como parte da programação do Festival Lisboa na Rua, promovido pela Prefeitura de Lisboa.
A sede da Filarmônica, a Sala Minas Gerais, foi inaugurada em 2015, sendo uma referência pelo seu projeto arquitetônico e acústico. Considerada uma das principais salas de concertos da América Latina, recebe anualmente um público médio de 100 mil pessoas.
A Filarmônica de Minas Gerais é uma das iniciativas culturais mais bem-sucedidas do país. Juntas, Sala Minas Gerais e Filarmônica vêm transformando a capital mineira em polo da música sinfônica nacional e internacional, com reflexos positivos em outras áreas, como, por exemplo, turismo e relações de comércio internacional.



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